5 de novembro de 2010

The Girl Effect: The Clock is Ticking

Belíssima campanha! Vale a pena ver o vídeo com animação impecável e trilha emocionante. Ah... e porque não? Engajar-se na campanha. Vamos mudar a vida das meninas para mudar o mundo, mudar o mundo para mudar a vida das meninas.


11 de outubro de 2010

29ª Bienal de São Paulo

Me arrebatou: "Luz Natural" de Eduardo Coimbra, mas prefiro chamar de "Lâmpadas de céu"




Obra que me interessou: "Arroz com Feijão" de Ana Maria Maiolino

11 de setembro de 2010

Lembrando das torres gêmeas com poesia




Recomendo vivamente o documentário Man on Wire, que conta a história de Philippe Petit que em 1974 atravessou no cabo de aço de uma torre à outra.

Um versão mais contemporânea e igualmente incrível é a do apaixonado por escalar, Alain Robert

2 de setembro de 2010

Onde escondemos nossa perversão?


Saiu hoje no jornal britânico Mail Online uma matéria sobre mulheres por volta de seus quarenta anos, virgens, membros da Opus Dei (uma das vertentes mais radicais da igreja católica), que durante duas horas por dia – todos os dias, prendem na coxa uma espécie de cinta com dentes que perfuram sua carne para impedi-las de pensarem em sexo. Ou, caso já estejam pensando, puni-las.
Segundo o jornalista inglês, a Opus Dei surgiu em 1928, na Espanha e hoje tem 87.000 membros espalhados pelo mundo que acreditam que qualquer um pode aspirar a santificação. Aproximadamente 30% dos membros pratica o celibato e a auto-flagelação diariamente e o jejum periodicamente.
As entrevistadas são mulheres bonitas, trabalhadoras e que crêem estar servindo a Deus com o auto-flagelo. Uma delas diz que, como vivemos em uma sociedade hedonista e materialista, é difícil imaginar que algumas pessoas aceitem se sacrificar em nome de Deus. Outra diz que ninguém acha entranho quando uma pessoa faz cooper ou jogging somente porque quer fica mais magra e que, na opinião dela, “isso é nojento”.
As três religiões monoteístas – judaísmo, islamismo e cristianismo – apresentam, de formas diferentes, a mesma promessa de uma vida pós-morte na qual nada do sofrimento humano será novamente vivido. No entanto, ainda aqui na terra, e em vida, podemos de certa forma nos redimir de nossa materialidade, portanto de nosso corpo/carne, e nos aproximar um pouco do divino nos subjugando, voluntariamente, seja por meio da mutilação, do flagelo, do jejum, da devoração de excremento e, no extremo, do suicídio.
Há, na verdade, uma relação dialética no binômio corpo – espírito. Pois, embora seja no corpo que aparecem as tentações, a redenção pode vir através dele por meio da dor. A maior parte das histórias das santas medievais passa por esta percepção de que deveriam interceder em seus corpos para se redimirem de ser mulheres logo capazes de parir. Deveriam manter o corpo maculado e oferecê-lo a Cristo.
Em seu livro “A parte obscura de nós mesmos – Uma história dos perversos”, a psicanalista Elisabeth Roudinesco narra biografias de santas na idade média que, em nome de espelharem a paixão de Cristo, comiam pus e vômitos de doentes, cobriam o corpo de fezes (como Jó), se cortavam, se flagelavam etc. Ou seja, tentavam transformar o corpo tido como abjeto em um corpo místico.
E, embora nos choque saber que muitas pessoas se impõe, voluntariamente, às maiores violações, é ainda mais difícil perceber, como diz Roudinesco, “a nossa própria negatividade, a parte obscura de nós mesmos”, nossa perversão, ou seja, aquilo que em nós se deleita com o mal e a destruição de si ou do outro.

1 de setembro de 2010

Escolheram morrer

Na segunda-feira, a Folha de S. Paulo, noticiou que uma “onda de suicídios comove sul-coreanos”. No ano passado, o vice-presidente se jogou de uma colina; em 2008, a artista considerada “atriz da nação” se enforcou e, com isso, aumentou a taxa de suicídios em 70% no mês seguinte; o herdeiro da Samsung, neto de seu fundador, colocou fim a própria vida no mês passado. Segundo o jornal, a taxa de suicídio no país ficou em 30 por 100 mil habitantes, maior do que o índice de homicídio do Brasil (25,2).
Analistas locais atribuem à relação fracasso/vergonha o aumento tão expressivo dos atentados à própria vida na Coréia. Ou seja, os coreanos do sul teriam padrões morais altos demais para conseguirem sustentar o desejo de viver diante de situações consideradas humilhantes, degradantes ou mesmo vergonhosas para seus padrões culturais. Somado a isso, há na cultura coreana um conceito chamado “han”, uma espécie de rancor, luto, pathos, lamentação, que se resume a uma sensação de opressão e impotência diante de situações desesperadoras. Ou seja, quando algo vai mal, os coreanos tenderiam a se frustrar e a fazer escolhas drásticas.
Sabemos pouco sobre o suicídio motivado pelo sentimento de vergonha, de fracasso na vida social. No ocidente, nos organizamos em torno da idéia de indivíduo, e portanto, de subjetividade. Aqui, consideramos o suicídio como uma questão de foro íntimo, como resolução trágica para conflitos pessoais, como alternativa a um quadro de grande dor psíquica. É distante a idéia de tirarmos nossa própria vida a fim de manter intacta uma suposta excelência da comunidade.
Podemos pensar na dificuldade que deve ser pertencer a este código cultural que valoriza a honra – “o sentimento que leva o homem a procurar merecer e manter a consideração pública” (Michaelis) – quando esta cultura é bombardeada com os valores capitalistas de competitividade, de valorização do ter em detrimento do ser, de excesso de individualismo.
Claro, qualquer uma das abordagens possíveis de aproximação deste assunto me parecem bastante coerentes: a sociológica, a econômica, a antropológica, a psicológica. No entanto, tenho a sensação de que todas são incompletas e não dão conta, nem mesmo juntas, de se entender o que passa naquela sociedade e na cabeça/coração destes indivíduos que escolhem não mais viver. A mim, entrar em contato com este assunto, causa o mal-estar generalizado, aquela coisa sem nome que faz a gente querer mudar de assunto ou, pior,  que faz a gente pensar como é fácil escorregar para o lado mortífero do viver. Não faço idéia do que se passa por lá.
Só quero acabar este post.

26 de agosto de 2010

O fascínio do grupo


Noticiado no mês passado como uma notícia bizarra, a fundação de um partido político “pró-beleza” pela modelo romena Sanziana Buruiana revela um sintoma da cultura.
A plataforma do tal partido é proibir a associação de pessoas acima do peso ideal, a fim de que o país tenha como representantes somente políticos/as bonitos/as. A modelo propõe até uma taxa para a população de obesos (algo em torno de 25 reais por mês/por quilo acima da tabela) e a proibição de piadas sobre mulheres loiras, sendo a modelo, obviamente, loira. E, como se não fosse suficiente, o partido propõe uma taxa de infidelidade: traiu, paga.
Fico tentada a arriscar-me em uma análise selvagem da moça e dizer que há ali uma tamanha dose de narcisismo que faz com que ela deseje que toda uma sociedade seja seu espelho, se pareça com ela. Ao mesmo tempo, revela tanta fragilidade, pânico de mudar e medo de ser abandonada que resolve colocar na lei, ou seja, recorrer a uma instância punitiva na cultura, caso ela própria resista ao incontrolável desejo de comer, ou de trair.
Mas, como não conheço a moça, e já tendo destilado meu palpitex um pouco no parágrafo acima, penso que este é um caso que pode ser pensado do ponto de vista da sedução totalitária. Aproveito que estou re-lendo o texto de Contardo Caligaris sobre o assunto para compartilhar aqui suas idéias.
Nós, bons neuróticos, corremos sempre o fatal risco de desejar que alguma instância superior diga o que desejamos, o que queremos. É muitas vezes insuportável a angústia da escolha cotidiana (do tipo que for: desde que tipo de sabonete comprar até que profissão escolher) e somos tentados a aderir a ideologias, discursos e estruturas de poder que digam para gente como devem ser as coisas.
Caligaris aborda o tema analisando o nazismo e a participação de pessoas “como a gente” no projeto de extermínio dos judeus. Quando do julgamento de Nuremberg, em que os oficiais nazistas eram perguntados por que fizerem aquilo, como puderam ter prazer no holocausto,  a resposta era algo como: eu era um bom funcionário, só estava fazendo meu trabalho. Ou seja, o gozo, o prazer não era (necessariamente) em matar e sim, em se perceber como peça eficiente de uma engrenagem.
Observo na criação deste tal partido da modelo traços claramente fascistas: o ódio a um grupo social, a vigilância e punição de aspectos da vida privada, o fascínio pela estética, etc. Mas, mais importante, percebo no nosso dia-a-dia, Brasil, aspectos de sedução pelo totalitarismo. Basta ver a reação da maior parte dos internautas que comentaram o primeiro beijo gay da TV aberta, que foi no horário eleitoral, na campanha política do PSOL. Ou, a fúria indiscriminada das massas nos estádios de futebol. Ou, ainda, a eleição de um garoto da escola na puberdade para ser massacrado pelo grupo de estudantes que o exclui. Ou, é claro, toda a patrulha de seja qual for a associação que nos envolvamos: seja no sindicato, no clube, na ong, no partido. Devemos resistir sempre ao desejo de deixar que o Outro diga o que nós queremos.